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Catedral Da Morte

written by: Léa Ferro

@leaferro

 

Devassos,
Meu tempo e meu breve espaço
Se perdem
No vagão de trem desgovernado,
Desta viagem desconhecida
Entre lamurias esconsas
E muitas consternações.

Dou de beber
Aos demônios que dormem sob meu peito.
Sangue e vinho,
Vermelhos como meu coração despedaçado
Atordoado
Por aneurismas e ledas paixões.

Despeço-me dos dias infinitos
Flertando com a poesia e a morte,
Despeço-me da areia morna e das ondas
Que embalam as minhas noites
E trazem-me ensejos e tempestades
Sob tenros verões.

Esqueço-me da tua face,
Do sabor dos teus beijos desvairados
E da vibrante risada
Que ecoava nas madrugadas insones,
Ludibriando a dor
Com desastrosas e etílicas canções.

Morrerei tarde
Para quem, antecipadamente, nasceu
E carregarei na alma calejada dos anos
Todas as promessas em meus sonhos.
Secretamente, te amarei,
E silenciosamente,
Partirei
Co'a etérea e perfumada lembrança
De que teu amor me fora a mais doce morte
E a melhor das vidas
Dentre todas as minhas condenações.

Léa Ferro

Léa Ferro

Léa Ferro - 1978. SP/Brasil.É Membro Imortal Correspondente da Academia Luminescência Brasileira/Araraquara/SP, e Embaixadora e Comendadora Imortal da Academia de Letras, Artes e Cultura/Casimiro de Abreu/Embaixada da Poesia/RJ. É autora do livro de Poesias Sortimentos: Prosa & Poesia, da Darda Editora. Participou de Coletâneas pelas editoras Illuminare, Dardae Futurama.
Léa Ferro

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